Queridos leitores, já faz um bom tempo que eu não publico nada de novo por aqui. Mas existe uma explicação, eu não tenho vivido nada novo. Melhor dizendo, eu não tenho andando em novidade de vida. Melhor ainda, nunca andei. Tudo o que eu já vivenciei em Deus, hoje eu considero como simples emoções… Mais nada do que isso.
Aquele adolescente que aceitara a Jesus aos seus 11 anos de idade, nem sabia o que estava fazendo. E partir daquele dia, ele passou a ir aos cultos, se envolver com ministérios de uma igreja, como se ele estivesse se escondendo, fugindo de seus problemas. Era como se ele estivesse colocando em si mesmo uma mascara. Além disso, fazia bonito para o seu pai, para os seus avôs e para tentar convencer sua mãe de se converter – quando ele mesmo não havia realizado isso genuinamente.
Houve um desgaste, e a vida daquele rapaz não era mais a mesma. Sempre foi muito inteligente, amigável, bem humorado, divertido… Mas a separação de seus pais havia mudado completamente o modo de ser dele. Ao olhar pra trás, bate uma saudade nos momentos que ao menos aparentávamos ser uma família feliz. Os presentes, as viagens, os endereços por onde moramos, e as reuniões com amigos e familiares.
Tentando analisar toda essa história por fora, ainda não me considero feliz. Tive meu batismo, tanto no Espírito Santo quanto nas águas. Pude experimentar o que era um Encontro, o que era um Congresso de Louvor e Adoração, ministração em outras igrejas, a arte de evangelizar e cuidar de “ovelhas”.
Hoje minha mãe está firme na mesma igreja que eu congrego. Pude vê-la ir e voltar de um Encontro com Deus e presenciei o seu Batismo, a sua primeira participação na Santa Ceia. Mas isso pra mim acaba se tornando um peso. Porque antes eu ia em função do meu pai, e agora da minha mãe – temendo que ela possa “cair”. Mas quando irei por mim mesmo?
Se pra mim, tudo o que eu vivera fora somente uma mera emoção. Se pra mim, a minha vida antes era mais feliz, o que eu faço hoje numa igreja, sustentando uma Bíblia em minhas mãos e respondendo que sou evangélico quando me perguntam de qual religião eu sou?
Muitas pessoas têm me aconselhado a não parar, a nunca parar de lutar, a continuar seguindo em frente. E elas têm me falado coisas muitos bonitas de se ouvir, muito interessantes e até úteis. Mas acontece que eu não sei se é isso o que eu quero pra minha vida.
Orar, jejuar, interceder, adorar, glorificar, louvar, ler a Bíblia, ter intimidade com Deus, evangelizar, ministrar… Enfim, pra mim é muito mais confortável e menos desgastante eu viver a minha vida normalmente. Não sinto a vontade e nem a necessidade de conjugar todos estes verbos citados acima.
Se Deus realmente existe, se Ele realmente tem sonhos e propósitos a serem realizados e cumpridos em minha vida, que não passe de hoje a chance dEle me falar algo definitivamente concreto e real. Pois eu já cansei de orar e não ouvir nada e nem sentir nada. Cansei de ler a Bíblia e não encontrar nada que me impacte de verdade. E cansei de ouvir mensagens e louvores bonitos que me causam efeitos instantâneos.
Tantos “adoradores” e ministros da Palavra de Deus testemunham experiências impactantes, tremendas e sobrenaturais com Ele, e porque eu nunca tive?
O que leva Ludmila Ferber a falar do Espírito Santo de Deus como se Ele fosse mais real se Ele não é de carne e osso? O que leva a Ana Paula Valadão falar tantas coisas e fazer tantas coisas loucas ao olhar humano? O que leva o Pastor Silas Malafaia ter toda aquela garra e coragem de falar um monte de “verdades” e conduzir muitas vidas? Eles e outros são os privilegiados e eu faço parte duma minoria que só ouve e não muda? Isso me faz o que? Nada! Sinto-me parte de um público que sempre estará cabisbaixo e terei que pagar ou comprar algo destes para me reanimar e assim proporcionar a tal prosperidade para eles.
Queria poder amar a Deus e ter um relacionamento fiel com Ele. Queria poder não somente pregar, mas também viver as verdades ministradas. Mas, não tem sido assim durante 12 anos… Quando vai ser? Ou não será nunca?